segunda-feira, 28 de novembro de 2016

E a natureza chora e queima

E de repente uma fumaça invade a sua casa assim, do nada, mas quando você vai ver, existe um motivo: o abandono.

Era uma fábrica de vidro da CIV que depois foi comprada pela gigante Owens Illinois (http://www.o-i.com/). Lembro que um tempo atrás vi seus funcionários em comemoração de fim de ano em uma churrascaria na outra esquina da fábrica. Pareciam muito felizes, afinal, quantas vezes o trânsito não era parado para que caminhões vindos de diversas partes do país entrasse e saíssem de suas dependências, levando consigo toneladas de vidros.

A chaminé que a via da janela do quarto de minha filha não era de assustar. A noite, dava para ver pequenas emissões de fumaça e durante o dia, no chão de casa uma poeira preta e fina. Preocupava, mas vejam o que tem no site deles:
Temos a responsabilidade de minimizar o impacto que nossos processos de produção têm no ambiente.”
Ok, tudo bem, levarei as análises em consideração, logo, é a Owens Illinois. Seu ‘fundador, Michael J. Owens, inventou a máquina automática de produção de garrafas, que se tornou a base da indústria de produção de vidro atual’, então vamos dar um crédito no respeito ao meio ambiente.
Fonte (http://www.o-i.com/About-O-I/Our-Story/)  


Desde quando viemos morar aqui, eu me admirava com a aproximação da natureza. Da varanda de nossa casa – ou da janela do quarto de nossa filha, apontava a minha câmera, uma Fuji S8200, a qual me proporciona um zoom de até 80x. Isto é incrível! Embora tenha que ficar limitado a alguns recursos, mesmo assim, algumas fotos, que não serão dignas de prêmios enchem meus olhos. E algumas delas, em um universo de centenas, trago aqui.












Mas o tempo passou. A crise veio e com isso, a fábrica fechou. Ainda lembro de ter visto alguns funcionários saindo cabisbaixos do enorme estacionamento da fábrica acho que no ano passado ou não mais do que dois anos. E é então que a natureza começa a ficar esquisita.

De belos gramados no jardim que se estendia pela grande extensão da rua principal da fábrica, até o reduto de frondosas mangueiras e uma louca comunidade de formigueiros que se via da av. Godofredo Maciel, não se restou quase nada. E esta estiagem, que virou seca, que aponta para um racionamento, levou as folhas secas se casarem com a grama marrom e ali ficarem.

Certo dia, fui até a portaria reclamar que a queima de folhas secas estavam irritando todos no condomínio que moro. Uma nuvem de fumaça se via no meio dele. E, compreensivelmente, o senhor que ateara fogo em algumas folhas, desculpou-se e segundo ele não faria mais. É bem certo que o odor de fumaça vez e outra era sentido por aqui, mas como naquele dia não. E juntando um terreno que fica enfrente à fábrica, pelo outro lado da avenida, que também por alguns dias era queimado, imagine a nossa situação. Se ninguém sabe aonde o vento faz a curva, eu também não sei, mas deve fazer um desvio por dentro do condomínio pois toda fumaça passa por aqui primeiro.

Ver a fábrica abandonada me dói. Já pensei em pedir autorização para fotografar e catalogar os animais e pássaros que minha lente já flagrou. Ah quem dera ter uma lente mais potente e um equipamento profissional para estes registros. Outra vez, na esperança de animar-me a prática de caminhar, olhei para um belo raio-do-sol que passeava pela rua da fábrica. Imaginei: Eles – os donos da fábrica, poderiam abrir os portões para que nós pudéssemos andar pela rua de lá sem inalar fumaça dos veículos da av. Godofredo Maciel.

Mas nem tudo são flores, aliás, flores, as poucas que restavam foram consumidas agora a pouco pelo fogo. Sim, um incêndio acabou de ocorrer no jardim da fábrica. Até os bombeiros vieram para o local. E as fotos que fiz agora da janela do quarto de minha filha são essas.










Sabe o que me impressionou mesmo? Depois que a fumaça deu uma trégua. Até parecia um lamento coordenado dos passarinhos que vez outra voam por aqui, ouvi o canto do bem-te-vi. Depois seguidos de outros cantos, mas bem intercalados, até pareciam que cada um chorava e se lamentava e dava a sua opinião ao fato de que o fogo por lá havia passado. Triste, muito triste.

O que nos resta agora? Torcer. Torcer para que venham chuvas e a grama do jardim volte a germinar já que ninguém está cuidando dele. Torcer, para que os galhos que estão agora caídos sobre o muro não o derrube. Torcer para que a grande rachadura no final da rua no muro da fábrica seja apenas uma ilusão, mas acho que os quase cinco centímetros de fenda é bem real.

Fico aqui então imaginando e torcendo: Quem comprará esta fábrica para regar o imenso jardim?

Ps: O link para esta postagem foi enviada para a Owens Illinois Brasil.

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